Métricas e registro

Critério de Kelly

O critério de Kelly dá a fração de capital com a qual o crescimento de longo prazo é máximo. A fórmula foi deduzida para apostas com probabilidades conhecidas — e na negociação elas não são conhecidas, e sim estimadas. Daí a consequência prática: quase nunca se usa o Kelly completo, mas a grandeza em si é útil como teto do risco razoável.

A fórmula de Kelly para o trading

f = (taxa de acerto × R/R − (1 − taxa de acerto)) ÷ R/R

O numerador é justamente a esperança matemática em unidades de risco. A divisão pela relação a converte em fração de capital. Para um sistema com taxa de acerto de 45 % e relação de 1 : 2 sai f = (0,45 × 2 − 0,55) ÷ 2 = 0,175, ou seja, 17,5 % do capital por operação.

WinrateR/RKelly completoMeioQuarto
40 %1 : 210,0 %5,0 %2,5 %
45 %1 : 217,5 %8,8 %4,4 %
50 %1 : 225,0 %12,5 %6,3 %
35 %1 : 313,3 %6,7 %3,3 %
60 %1 : 120,0 %10,0 %5,0 %
33 %1 : 20,0 %0,0 %0,0 %

A última linha é significativa: com taxa de acerto de 33 % e relação de 1 : 2 a fórmula dá zero — é exatamente um sistema de equilíbrio, e a aposta ótima nele é nula. Com taxa de acerto abaixo da de equilíbrio o resultado é negativo, o que significa «não há o que apostar».

Por que não se opera com o Kelly completo

Os números da primeira coluna da tabela vão de 10 a 25 % do capital por operação. Isso é dez a vinte vezes mais que o risco por operação habitual, e há três motivos para isso, cada um suficiente por si só.

01A probabilidade não é conhecida, e sim estimada

Kelly exige uma taxa de acerto exata. A taxa real é uma estimativa por amostra com erro de alguns pontos percentuais, e a fórmula é sensível a esse erro: superestimar a taxa em 5 pontos leva a fração para a zona em que o crescimento se torna negativo.

motivo principal
02Os drawdowns com o Kelly completo são enormes

Mesmo com probabilidades corretas, a trajetória passa por drawdowns de dezenas de por cento. A fórmula maximiza o crescimento, e não o conforto: ela nada sabe sobre a possibilidade de abandonar a negociação.

limite comportamental
03Os desfechos na negociação não são binários

A fórmula pressupõe dois desfechos: ganho de tamanho fixo ou perda da aposta. As operações reais se fecham parcialmente, por trailing, com slippage — a distribuição é mais ampla e a fração ótima é menor.

o modelo é simplificado

Propriedade da curva de crescimento. A função de crescimento do capital pela fração de risco é assimétrica: à esquerda do ótimo ela cai suavemente, à direita bruscamente. Uma aposta duas vezes menor que Kelly dá cerca de três quartos do crescimento máximo, e uma aposta duas vezes maior, crescimento negativo. Por isso errar para menos é mais seguro.

Como o critério de Kelly se usa numa conta de forex

Não como forma de definir o risco, e sim como referência e como verificação.

Como teto
Se o seu risco habitual por operação supera um quarto de Kelly, vale parar e reconferir a estimativa da taxa de acerto: a fórmula já diz que a aposta é agressiva mesmo com conhecimento perfeito das probabilidades.
Como indicador da qualidade do sistema
Um Kelly negativo ou próximo de zero significa ausência de vantagem. É a mesma conclusão que a esperança matemática dá, mas na forma de «quanto apostar» — às vezes mais convincente.
Como argumento contra aumentar a aposta depois de uma sequência de ganhos
Kelly depende apenas da taxa de acerto e da relação, e não dos últimos resultados. Uma sequência de ganhos não aumenta a fração ótima.

Os valores práticos de risco — 0,5–2 % por operação — costumam ser de um quinto a um vigésimo do Kelly completo. Uma fração dessas quase não reduz o crescimento de longo prazo, mas diminui radicalmente os drawdowns e torna o resultado robusto ao erro de estimativa da taxa de acerto.

O que acontece com uma conta de forex com diferentes frações de Kelly

A curva de crescimento é assimétrica, e isso se vê melhor numa tabela. Cálculo para um sistema com taxa de acerto de 45 % e relação de 1 : 2, cujo Kelly completo é de 17,5 % do capital.

Fração de KellyRisco por operaçãoRitmo de crescimento em relação ao máximoDrawdown de uma sequência de 8 stops
10 %1,75 %cerca de 19 %−13 %
25 %4,38 %cerca de 44 %−30 %
50 %8,75 %cerca de 75 %−52 %
100 %17,50 %100 %−79 %
200 %35,00 %negativo−97 %

O ritmo de crescimento é a fração do crescimento logarítmico máximo que o Kelly completo dá. O drawdown foi calculado para a sequência de oito perdas seguidas esperada com taxa de acerto de 45 %, com recálculo do risco sobre o equity atual.

Repare na terceira linha: metade de Kelly preserva cerca de três quartos do ritmo de crescimento, e o drawdown é bem mais suave. E na última: dobrar a fração ótima dá crescimento negativo — ou seja, o capital derrete, embora a vantagem em cada operação isolada continue positiva.

Perguntas frequentes

O que é o critério de Kelly em palavras simples?

É a fórmula que responde à pergunta «que fração do capital apostar para que ele cresça o mais rápido possível numa distância longa». Ela considera tanto a probabilidade de ganho quanto o tamanho dele em relação à perda.

Por que se recomenda meio Kelly ou um quarto de Kelly?

Por causa da forma da curva de crescimento: reduzir a aposta pela metade preserva a maior parte do crescimento de longo prazo, mas diminui de modo notável os drawdowns e, principalmente, protege do erro na estimativa da taxa de acerto. Superar Kelly, ao contrário, reduz o crescimento muito rápido.

Dá para aplicar Kelly ao forex?

Com ressalvas. A fórmula pressupõe desfecho binário e probabilidades conhecidas, e as operações reais dão uma distribuição de resultados e uma taxa de acerto estimada. Por isso a grandeza se usa como referência superior, e não como valor de risco de trabalho.

O que fazer se Kelly der um valor negativo?

Não operar esse sistema. Um Kelly negativo é consequência direta de uma esperança matemática negativa: a aposta ótima nesse jogo é zero, e qualquer valor positivo acelera a perda do capital.

Como aplicar Kelly a uma conta de forex na prática?

Como teto: calcular a fração pela sua taxa de acerto e pela sua relação e conferir que o risco de trabalho não supere um quarto dela. Com taxa de acerto de 45 % e R/R de 1 : 2 o Kelly completo é 17,5 %, o quarto é 4,4 %, e o risco prático de 1 % fica bem dentro da zona segura.

Por que na prática se usa 1 % e não 4 %?

Porque a taxa de acerto é estimada por amostra e muda junto com o mercado. A folga não é por cautela em si, e sim para o caso de os parâmetros reais saírem 3–5 pontos percentuais piores que os medidos.

Kelly funciona com realizações parciais?

A fórmula pressupõe dois desfechos de tamanho fixo, por isso com saídas parciais o resultado dela vira uma aproximação. Usá-lo como referência é possível; como valor exato, não.

Como Kelly se relaciona com o limite de drawdown?

De modo nenhum: a fórmula maximiza o ritmo de crescimento e nada sabe sobre a possibilidade de abandonar a negociação. Os drawdowns com o Kelly completo se contam em dezenas de por cento, por isso o risco prático se escolhe pelo drawdown admissível, e Kelly serve de teto.

Em que meio Kelly difere da regra dos 2 %?

Na natureza do número. A regra dos 2 % é uma referência externa, igual para todos os sistemas. Kelly se deduz da sua taxa de acerto e da sua relação, por isso mostra o quanto o seu risco está longe do limite matemático.

É preciso recalcular Kelly depois de cada operação?

Não. Basta revisá-lo junto com o resto da estatística — uma vez por mês ou a cada cinquenta operações. Reagir aos últimos resultados transforma a fórmula em fonte de ruído.

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Redação ARMFAnalisamos a gestão de risco no forex onde ela se calcula: o volume em lotes a partir da distância até o stop e do valor do pip, a margem exigida, o preço do drawdown e a taxa de acerto de equilíbrio. Damos as fórmulas por inteiro, para que o cálculo possa ser repetido na sua própria planilha.Quem escreve e como verificamos os dadosDados verificados em: 04.09.2026